Dá para ensinar o corpo a acordar cedo? Ajustes graduais podem ajudar
Pesquisa com mais de 27 mil participantes do UK Biobank revela três subtipos noturnos e dois matutinos; desalinhamento entre relógio biológico e obrigações pode afetar o bem-estar.
O despertador toca às 6h, mas o corpo parece não ter recebido o aviso. Enquanto algumas pessoas começam o dia com disposição, outras precisam vencer o sono antes de sair da cama. Isso nem sempre é falta de disciplina.
Essa preferência é chamada de cronótipo. Ela influencia os períodos de maior alerta e sonolência e ajuda a explicar por que há quem renda melhor de manhã e quem encontre concentração à noite. Uma pesquisa publicada em dezembro de 2025 na revista científica Nature Communications reforçou que essa divisão é menos simples do que parece.
Ao analisar dados de 27.030 participantes do UK Biobank, incluindo imagens cerebrais e informações sobre saúde e comportamento, pesquisadores identificaram cinco subtipos de cronótipo: três ligados à preferência por horários noturnos e dois aos matutinos.
O problema aparece quando as obrigações não acompanham o relógio interno. Quem precisa levantar cedo para trabalhar ou estudar, embora naturalmente sinta sono até mais tarde, pode acumular cansaço. Nos fins de semana, tenta recuperar o descanso acordando horas depois do habitual.
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Esse desencontro recebe o nome de jetlag social. A alternância entre horários de sono produz uma espécie de mudança de fuso sem viagem e pode afetar o bem-estar.
É possível ensinar o corpo a madrugar? Ajustes graduais costumam ser mais úteis do que mudanças bruscas. Antecipar aos poucos a hora de dormir e de acordar, manter horários regulares e receber luz natural pela manhã ajudam a sincronizar o ritmo circadiano, que organiza os ciclos de sono e vigília.
À noite, diminuir o uso de telas e evitar cafeína perto da hora de deitar também pode facilitar o descanso. Nada disso, porém, substitui o tempo necessário de sono.
Nas redes sociais, levantar antes do amanhecer virou sinal de produtividade. Mas cumprir tarefas às 5h não é vantagem se o preço for passar o restante do dia exausto. Mais importante do que copiar a rotina alheia é descobrir em quais horários o próprio corpo funciona melhor.
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