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Pequizeiros clonados começam a produzir em 3 anos e meio em Goiás

Pesquisa da Emater em Porangatu reduz tempo de colheita do pequi, que pela semente pode levar até 20 anos; manejo adequado é essencial.

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Pequizeiros clonados começam a produzir em 3 anos e meio em Goiás

Uma pesquisa da Emater Goiás está mudando a expectativa de quem planta pequi. Na Estação Experimental de Porangatu, no Norte do estado, pequizeiros produzidos por clonagem começaram a dar frutos cerca de três anos e meio após o plantio. Pelo método tradicional, a partir da semente, a primeira colheita pode demorar até 20 anos, dependendo das condições de cultivo.


O avanço foi divulgado pela Emater na terça-feira (13/10), quando o Cerrado entra na época de safra do fruto. Para quem vive da cultura, a diferença é significativa: um pomar que começa a render em menos de quatro anos permite planejar a renda, investir em mudas e tratar o pequi como lavoura, e não apenas como extrativismo.


Segundo a pesquisadora Elainy Botelho, da Emater Goiás, a clonagem reproduz as características desejáveis de uma planta já selecionada. Quando o pequizeiro nasce da semente, cada pé se desenvolve de forma diferente, variando o tempo até a primeira safra e características do fruto, como tamanho e quantidade de polpa.


Na visita mais recente à estação de Porangatu, a equipe avaliou o desenvolvimento das plantas e fez o plaqueamento das árvores, identificação individual que permite acompanhar cada pé ao longo dos experimentos.


A pesquisadora ressalta que o bom resultado depende de um protocolo de manejo, com espaçamento correto, adubação, irrigação e capina. "Muitos pensam que apenas plantar é suficiente, e que o resto do trabalho se faz sozinho", disse Elainy Botelho. "Não é assim: é preciso um cuidado especial e constante para garantir bons resultados", completou.


A Emater estuda o pequi há mais de 30 anos e mantém o que descreve como o maior banco de germoplasma de pequi do mundo: mais de 1.600 pequizeiros, que representam centenas de variedades encontradas na natureza. As árvores são multiplicadas por enxertia e outros métodos assexuados e ficam distribuídas pelas unidades de pesquisa de Goiânia, Anápolis, Porangatu e Araçu.

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Em 2022, a Emater e a Embrapa Cerrados lançaram seis variedades de pequi: três com espinhos e três sem espinhos. A versão sem espinhos chama a atenção, mas o principal ganho está na previsibilidade da produção.


Entre as mudanças para o produtor estão a espera menor, já que os clones avaliados em Porangatu começaram a produzir em cerca de três anos e meio, enquanto pela semente pode levar até 20 anos; o fruto mais padronizado, pois o clone repete as características da planta-mãe; a necessidade de manejo obrigatório, com espaçamento, adubação, irrigação e capina; e o apoio técnico da Emater a viveiristas e produtores.


Para o goiano, o pequi é mais do que um ingrediente: é o cheiro do arroz com pequi de domingo e de receitas que atravessam gerações. Ter pomares produzindo mais cedo pode ajudar a garantir oferta do fruto e a diminuir a pressão sobre os pequizeiros nativos do Cerrado, que seguem como principal fonte do que chega às feiras.


Com as árvores identificadas, a Emater segue acompanhando o desempenho dos clones em Porangatu. Produtores e viveiristas interessados podem procurar a unidade local da Emater Goiás para receber orientação técnica sobre a formação do pomar.

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