Lula diz em Ipatinga que Globo está 'sob suspeição' e cita almoço de Flávio Bolsonaro com a direção da emissora
Durante ato de campanha no Vale do Aço mineiro, presidente afirmou que a emissora 'não merece confiança' e listou medidas de seu governo que, segundo ele, contrariam a empresa
O presidente Lula (PT) afirmou nesta sexta-feira (16) que a Globo está "sob suspeição" de sua candidatura e "não merece confiança", durante ato de campanha em Ipatinga, no Vale do Aço mineiro. A declaração foi motivada pelo almoço do senador Flávio Bolsonaro (PL) com a direção da emissora no dia da entrevista dele.
"Ele Flávio Bolsonaro foi almoçar com a direção da Globo no dia da entrevista dele", disse Lula, referindo-se à participação de Flávio em sabatina prevista para esta noite, depois do Jornal Nacional. Em seguida, o presidente listou medidas de seu governo que, segundo ele, desagradariam à empresa.
"Certamente a Globo está com raiva de mim porque eu acabei com as bets e ela tinha a bet. Certamente a Globo está com raiva de mim porque aprovamos o fim da escala 6×1. Certamente ela está com raiva de mim porque ela sabe que vou dar o transporte gratuito no final de semana para o povo brasileiro poder passear com a sua família. Ela deve estar com raiva porque ela sabe que fomos nós que prendemos o Vorcaro", afirmou.
"Então eu quero dizer para vocês que, a partir de hoje, a Globo está sob suspeição da minha candidatura. Não merece confiança. Não merece", acrescentou.
A Globo confirmou que Flávio foi recebido pelo presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho, e pelo vice-presidente de Relações Institucionais, Paulo Tonet, na sede da empresa, no Rio de Janeiro. Em nota, afirmou que o encontro teve caráter institucional e não contou com a participação de dirigentes do jornalismo. A emissora disse ainda que Lula também teria sido recebido caso tivesse solicitado uma visita. O petista participou da sabatina na quinta-feira (15).
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O almoço já havia provocado reação na campanha petista. O ministro da Secretaria de Comunicação de Lula, Sidônio Palmeira, classificou o encontro como grave e questionou a imparcialidade da emissora, sobretudo por ter ocorrido no mesmo dia da entrevista de Flávio.
Durante a passeata, Lula pediu aos apoiadores que buscassem votos entre os eleitores que não o escolheram no primeiro turno. O presidente voltou a criticar o governo Jair Bolsonaro e mencionou as mortes provocadas pela pandemia de Covid-19. "Vocês lembram das pessoas morrendo asfixiadas por falta de oxigênio? E por falta de vacina?", afirmou. "É muito importante que a gente não permita que o Brasil retroceda."
A mobilização reuniu aliados como o ministro Alexandre Silveira, a ex-prefeita de Contagem e senadora eleita Marília Campos, o ministro Rui Costa, eleito senador pela Bahia, e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles. O presidente interrompeu a passeata em diferentes momentos para pedir que os participantes evitassem empurrões. "Não adianta. Se a gente não tomar cuidado, as pessoas vão cair e vão se machucar", disse.
Em outro momento, a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, reagiu a um aparente gesto ofensivo de uma pessoa que acompanhava a passagem da comitiva de uma residência. "Colega, pega esse dedo e enfia no coração. Aqui é só amor. Coloca no coração", afirmou.
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