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Goiás

Exploração de terras raras em Goiás pode gerar até 12 mil empregos nos próximos anos

Estado se destaca com mina em Minaçu, única fora da Ásia a produzir em escala comercial quatro elementos estratégicos usados em tecnologia e energia limpa.

08/03/2026 15:01
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Exploração de terras raras em Goiás pode gerar até 12 mil empregos nos próximos anos

A exploração de terras raras em Goiás pode gerar até 12 mil empregos diretos entre cinco e dez anos, segundo estimativa da Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços de Goiás. As oportunidades devem envolver profissionais de diversas áreas, como engenharia, operação de máquinas, logística e especialistas em tecnologia.

O estado tem ganhado destaque internacional porque a cidade de Minaçu, no norte goiano, é atualmente o único local fora da Ásia a produzir em escala comercial quatro elementos essenciais de terras raras.

Segundo o secretário da pasta, Joel de Sant'Anna Braga Filho, a exploração mineral em Goiás começou há cerca de três anos. Atualmente, duas mineradoras já operam no estado e, quando estiverem em plena atividade, podem gerar entre 5 mil e 6 mil empregos diretos cada.

“Isso é muito importante porque vai trazer investimentos para Goiás em vários setores e ampliar a geração de empregos”, afirmou o secretário.

Tecnologia pode atrair novos investimentos

Além da mineração, o governo estadual aposta na atração de empresas ligadas à tecnologia para fortalecer a cadeia produtiva das terras raras. Entre os setores que podem se instalar em Goiás estão fabricantes de baterias, motores elétricos e empresas de data centers.

Segundo o secretário, a estratégia é exportar os minerais e, ao mesmo tempo, atrair investimentos industriais para o estado.

“Podemos fazer uma troca: exportamos terras raras e pedimos que essas empresas invistam aqui em outros setores tecnológicos”, explicou.

Profissões que devem ganhar destaque

De acordo com a gerente de projetos estratégicos da secretaria, Lívia Parreira, a cadeia produtiva das terras raras envolve diversas áreas profissionais, desde a pesquisa mineral até a indústria tecnológica.

Entre os profissionais mais demandados estão:

  • Geólogos e geofísicos
  • Engenheiros de minas
  • Engenheiros químicos e metalurgistas
  • Engenheiros ambientais
  • Técnicos em mineração
  • Operadores de máquinas pesadas
  • Especialistas em logística e comércio exterior

Segundo ela, a geração de empregos deve acontecer em três etapas principais.

No curto prazo, a maior demanda será para pesquisa mineral e implantação das minas, com contratação de geólogos, técnicos de sondagem, topógrafos e operadores de equipamentos.

No médio prazo, a demanda se concentra no beneficiamento e na separação química dos minerais, etapa que exige profissionais altamente qualificados, como engenheiros químicos e técnicos industriais.

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Já no longo prazo, o maior impacto econômico deve ocorrer na industrialização de componentes tecnológicos, como ímãs, motores e baterias.

O que são terras raras

O termo terras raras se refere a um grupo de 17 elementos químicos usados na fabricação de tecnologias avançadas. Apesar do nome, esses elementos não são necessariamente escassos na natureza, mas costumam estar dispersos no solo e são difíceis de separar.

Segundo especialistas, o processo industrial para separar esses minerais é complexo e exige tecnologia avançada, o que aumenta o valor estratégico desses elementos no mercado global.

Minaçu se destaca no cenário internacional

A mineração realizada pela Serra Verde em Minaçu é considerada a única operação fora da Ásia capaz de produzir em escala quatro elementos magnéticos essenciais: neodímio, praseodímio, disprósio e térbio.

Esses minerais são fundamentais para tecnologias modernas, como motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas industriais de alto desempenho.

Segundo o secretário Joel de Sant’Anna, os Estados Unidos já aprovaram mais de 400 milhões de dólares em investimentos para a expansão do projeto na região, além de recursos adicionais destinados a pesquisas em Nova Roma.

Outra empresa que pretende investir no setor é a Aclara Resources, responsável pelo Projeto Carina, voltado para o processamento sustentável de terras raras em Goiás.

Empresas ligadas à cadeia produtiva

Diversas empresas do setor automotivo e tecnológico já operam ou têm projetos no estado, entre elas:

  • Weichai, fabricante de motores elétricos instalada em Itumbiara
  • CAOA, que utiliza baterias em veículos híbridos em Anápolis
  • Mitsubishi Motors, com produção de veículos híbridos em Catalão

Segundo o governo estadual, montadoras chinesas como Changan Automobile e GAC Group também avaliam investimentos em Goiás.

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