Defesa de Bolsonaro diz ao STF que ex-presidente não autorizou uso de imagem em vídeo criado por IA
Esclarecimentos foram enviados ao ministro Alexandre de Moraes após questionamentos sobre material exibido durante convenção do PL
Por Redação IndiaraNews
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro informou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que ele não autorizou a utilização de sua imagem e de sua voz em um vídeo produzido com inteligência artificial (IA) e exibido durante a convenção nacional do Partido Liberal (PL), realizada no último sábado.
A manifestação foi apresentada nesta quarta-feira em resposta a uma determinação de Moraes, que concedeu prazo de 48 horas para que os advogados esclarecessem se Bolsonaro participou ou autorizou a produção do material.
Segundo a defesa, o ex-presidente não deu qualquer autorização para o uso de sua imagem no vídeo e, além disso, estaria impossibilitado de manter contato com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu filho, em razão das medidas cautelares impostas pelo Supremo.
Os advogados destacam que, desde decisão proferida em 17 de julho, Bolsonaro está com o direito de receber visitas suspenso por 30 dias, enquanto Flávio Bolsonaro está impedido de visitá-lo por um período de 90 dias. Para a defesa, essas restrições demonstram que não houve comunicação entre pai e filho para tratar da produção do vídeo.
Uso da imagem
Na petição encaminhada ao STF, os advogados afirmam que os filhos do ex-presidente utilizam sua imagem pública em atividades político-partidárias há vários anos, reproduzindo fotografias, entrevistas, discursos e outros conteúdos públicos desde o período em que Bolsonaro ocupava a Presidência da República.
De acordo com a defesa, essa prática sempre ocorreu de forma pública e sem qualquer manifestação contrária do ex-presidente, sendo resultado da relação de confiança existente entre os familiares e da condição de Bolsonaro como figura pública.
Com esse argumento, os advogados buscam afastar a hipótese de que a divulgação do vídeo tenha envolvido contato entre Bolsonaro e Flávio em descumprimento das medidas judiciais.
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Decisão de Moraes
Na terça-feira, Alexandre de Moraes determinou que a defesa esclarecesse se houve autorização para o uso da imagem e da voz do ex-presidente no vídeo produzido por inteligência artificial.
Na decisão, o ministro afirmou que existem duas possibilidades a serem analisadas. Caso fique comprovado que Bolsonaro autorizou a produção ou divulgação do material, a conduta poderá ser interpretada como descumprimento das medidas cautelares impostas durante o cumprimento da pena, hipótese que poderá resultar na revisão do benefício da prisão domiciliar humanitária.
Por outro lado, caso seja confirmada a ausência de autorização, Moraes apontou que o caso poderá ser analisado sob a ótica da legislação eleitoral, diante da possível utilização de conteúdo gerado por inteligência artificial sem o consentimento do retratado, situação que poderá ser apurada em relação aos responsáveis pela divulgação.
O ministro também lembrou que Bolsonaro permanece com os direitos políticos suspensos em razão de condenação criminal e está proibido de utilizar redes sociais, de forma direta ou por intermédio de terceiros, conforme decisões judiciais em vigor.
Até o momento, o Supremo Tribunal Federal ainda não se manifestou sobre os esclarecimentos apresentados pela defesa do ex-presidente.
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