Em Goiás, feminicídio — quando a homicídio ocorre, entre outros fatores, em razão da vítima ser mulher — aumentaram 15% nos primeiros sete meses de 2018. O levantamento aponta que de janeiro a julho deste ano aconteceram 15 assassinatos com esse perfil. O número foi comparado com o mesmo período de 2017, quando 13 casos foram registrados pelas polícias do Estado. Os dados são da Secretaria Estadual de Segurança Pública, disponibilizados pelo Painel Estratégico de Segurança do Estado.

Na lei, o feminicídio está inserido no mesmo crime de homicídio (artigo 121 do Código Penal Brasileiro), mas atenuada pelo assassino ter como principal motivo do crime o gênero da vítima. Até 2015, quando houve uma alteração legal, no Brasil não havia nenhuma punição específica no caso do assassinato de mulher, ou seja, tinha a mesma condenação que um homicídio comum, sem levar em consideração que, antes desse tipo de crime, a mulher sofre por várias outras violências antes. A pena do homicídio comum é de seis a 20 anos de cadeia; no caso de atenuada pelo feminicídio, sobe, de 12 a 30 anos.

Em Goiás, um caso emblemático, em que o autor assumiu o crime após ser preso, foi o da funcionária pública Giselle Evangelista, de 39 anos. Ela foi morta em fevereiro de 2018, quando outras duas mulheres foram vítimas do mesmo crime. O assassino e namorado, comerciante José Carlos de Oliveira Júnior, de 37 anos, disse que Giselle havia o agredido porque ele teria recebido mensagens em um aplicativo, mas as imagens de monitoramento do sistema de segurança do prédio em que ele morava na Vila Alpes, em Goiânia, revelaram agressões partiram dele.

Desde a morte de Giselle, mais 12 mulheres foram mortas pela mesma causa. Bem longe dessa linha tênue entre vítima e assassino, estão outras pessoas envolvidas. Famílias inteiras são destruídas, e o número — que aponta só vítima e autor, na estatística — aumenta, quando se leva em consideração quem tem que dizer adeus.

“Tudo mudou. Minha mãe e eu não somos mais as mesmas, e temos que tomar remédio para dormir até hoje, sendo que ela não consegue mais ficar só, e desenvolveu síndrome do pânico. Giselle tinha só um filho, que tem de fazer tratamento psicológico desde que tudo aconteceu. São cinco meses, e só nessa semana conseguimos fazer a mudança das coisas dele para um apartamento,” disse a irmã de Giselle, Michelle Evangelista.

José Carlos de Oliveira Júnior foi preso em flagrante no dia seguinte ao assassinato, pelo GT-3, o grupo de elite da Polícia Civil. A detenção aconteceu na zona rural de Pirenópolis, depois do carro dele ser encontrado próximo de onde estava. O homem teve a prisão em flagrante convertida em preventiva, e continua preso. O Ministério Público já ofereceu denúncia ao Judiciário, e ele será levado a júri popular, mas a data ainda não foi marcada.

Violência Repetida
O caso de Giselle, em Goiás, é um reflexo do que acontece em todo o País. No Paraná, a advogada Tatiane Spitzner, de 29 anos, teria sido asfixiada no dia 22 de julho, pelo namorado, o professor de Biologia Luiz Felipe Manvailer, 32. O Ministério Público do Paraná deve oferecer ainda nesta segunda-feira (6), denúncia à Justiça contra o professor. Ele é suspeito de ter jogado a advogada do quarto andar do prédio onde moravam (imagens do prédio abaixo), em Guarapuava, a 257 quilômetros de Curitiba. Manvailer foi detido horas depois da morte de Tatiane, em uma estrada em São Miguel do Iguaçu, a caminho de Foz do Iguaçu, e pode ser enquadrado no crime de feminicídio.

Segundo reportagem exibida no programa “Fantástico”, na noite de domingo (5), os laudos periciais mostram que a advogada teve “fratura do pescoço típica de esganadura”. Com isso, aumenta a suspeita de que Manvailer a tenha asfixiado.

Manvailer, que está detido em Guarapuava, teve sua situação agravada após a liberação de imagens do prédio, à qual aparece agredindo a mulher por cerca de 20 minutos. A defesa do professor, porém, está no aguardo de todas as imagens e resultados da perícia.

“(A defesa) Permanece no aguardo do resultado de exames periciais no corpo da vítima, no apartamento do casal, nas câmeras de segurança, nos smartphones, computadores e HDs apreendidos e na realização de reprodução simulada dos fatos com a participação do acusado”, informou em nota no final de semana. (Com Estadão Conteúdo)

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