Normalmente polido em suas entrevistas, o técnico Tite deixou de lado a política da “boa vizinhança” após o empate por 0 a 0 com o Grêmio, na tarde deste domingo, em duelo que marcou a estreia da equipe no Campeonato Brasileiro. Insatisfeito com as vaias da torcida direcionadas para o meia Rodriguinho e o atacante André, ele se disse surpreso com as críticas e pediu mais paciência à Fiel.

“Peço um pouco de credibilidade para um técnico que, nos últimos quatro Brasileiros, venceu dois. Quero pedir que o torcedor não faça o que fez com o Rodrigo, isso gera algo contra a própria história do Corinthians. Nós todos estamos representando, sei que não posso ser o técnico ideal para sempre, mas sempre tento passar critérios, ideias”, avaliou o gaúcho, que viu predicados até no atual elenco que justificassem uma atitude menos explosiva dos corintianos.

“Não quero julgar se é demais ou de menos e eu não posso julgar a torcida como só aqueles que se manifestam. Eu só posso falar que: 2011, 12, 13, 14 e 15, o Corinthians foi campeão, sexto, décimo, quarto e campeão. A equipe merece  que eles tenham mais paciência. Se fizer e apoiar, vai melhorar. Se não, vai dificultar. A torcida do Corinthians sempre se caracterizou por apoiar e confesso que tem me surpreendido. São algumas pessoas que não representam todos, mas me surpreende”, completou.

O estopim para o discurso de Tite se deu nas substituições da dupla Rodriguinho/André. Enquanto o meio-campista alternou vaias a sua atuação e alguns poucos aplausos, o centroavante foi unanimidade entre os presentes em Itaquera: vaias e xingamentos para o jogador, que recebeu um afago do próprio Tite enquanto ouvia diversas críticas dos corintianos ao dar lugar para Luciano.

Para o comandante, as eliminações causaram uma impressão errada ao torcedor de que as coisas no Corinthians não estão dando certo. Pela sua avaliação, as quedas diante de Audax, no Paulista, e Nacional-URU, na Libertadores, foram cruciais para a inimizade entre Fiel e jogadores.

“A torcida, tal qual nós, está frustrada, chateada. É o primeiro jogo em casa que não fazemos gol. Só que a equipe carregou as duas eliminações, sendo o melhor ataque e melhor defesa e melhor saldo do Paulista. A torcida, porém, só lembra das eliminações e traz consigo essa peça. Hoje [domingo] o Marquinhos jogou pela primeira vez com o Giovanni, precisa dar tempo. Esse sentimento é o sentimento do torcedor, só que tem que agir com sentimento e razão” explicou.

Por fim, Tite ainda demonstrou sua insatisfação com aqueles que avaliaram o embate deste domingo como um jogo “feio”, devido aos diversos erros em finalizações e ao placar zerado. Para o gaúcho, o duelo contra o Grêmio reservou muitas coisas boas a quem se deslocou até Itaquera para assistir.

“Para mim, perante uma ótica de estilos, jogo feio é aquele que eu quebro a bola para frente. O que houve foi duas equipes bem posicionadas, da escola brasileira de toque e triangulação. Se tivesse sido 3 a 3, ou nós vencido, iam dizer que foi um puta jogo. Nós empurramos o Grêmio para a defesa. Para mim, foi um kogo bonito em que não gostei de não ter gols. Jogo feio é porrada, falta, deslealdade, deixar braço. Esse foi diferente”, concluiu.

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