Um prédio de 22 andares desabou durante um incêndio de grandes proporções no Largo do Paissandu, no centro de São Paulo, na madrugada desta terça-feira, 1º. Um edifício vizinho também pegou fogo nos três primeiros andares, mas não corre risco de colapso. A Igreja Evangélica Luterana, que fica ao lado do prédio em chamas, também pegou fogo e parte da estrutura desabou. Uma pessoa morreu e pelo menos outras duas estão desaparecidas. Os bombeiros ainda buscam por vítimas sob os escombros no início desta manhã.

Em entrevista à Rádio Eldorado, o porta-voz do Corpo de Bombeiros, Marcos Palumbo, confirmou que uma pessoa morreu durante o desabamento do prédio em chamas. A vítima que morreu estava sendo resgatada por corda pelos militares quando a estrutura do prédio desabou.

Os militares abriram um acesso pelo edifício vizinho e a vítima já estava pronta para sair quando toda a estrutura colapsou. A corda que prendia a vítima se rompeu e ela caiu. Um bombeiro também ficou ferido durante o desabamento, mas passa bem. Pelo menos duas pessoas também estão desaparecidas, mas o número pode aumentar.

De acordo com moradores do entorno, o fogo começou no segundo andar e se espalhou rapidamente. Foram enviados 160 agentes e 57 carros do Corpo de Bombeiros para a ocorrência, além de unidades da Polícia Militar, SAMU, CET e Defesa Civil.

A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros dizem que somente a perícia poderá confirmar as causas do incêndio. Há indícios de um morto e três feridos, e moradores citam que havia pessoas no topo do prédio no começo do incêndio.

CONDIÇÕES PRECÁRIAS

Informações de moradores da região relatam que o prédio que desabou era uma instalação desativada da Polícia Federal, e que estava ocupada irregularmente. O outro, ainda em chamas, era um edifício comercial.

“Estava assistindo televisão em um hotel próximo quando ouvi uma gritaria. Pensei no começo que era uma briga, mas logo depois ouvi as pessoas gritando para descer e aí vi o incêndio”, relata Antônio Carlos Saraiva, que é recepcionista no hotel São Jorge, vizinho ao local da tragédia. O hotel foi interditado preventivamente pela Defesa Civil.

Presente ao local, o governador de São Paulo, Márcio França (PSB) disse que as famílias desabrigadas serão cadastradas e levadas para abrigos, e também podem se candidatar a receber aluguel social para procurarem um novo lugar para viver. Ele também chamou o caso de “tragédia anunciada”.

“Não tem a menor condição de morar lá dentro. As pessoas habitam ali, desesperadas. Volto a repetir que essa era uma tragédia anunciada”, continuou.

De acordo com o governador, são pelo menos 150 imóveis ocupados irregularmente no centro de São Paulo, a maioria deles de particulares.

FAMÍLIAS EVACUADAS

Moradores da ocupação tiveram que deixar para atrás documentos, eletrodomésticos e animais de estimação quando o incêndio começou.

A dona de casa Deise Silva, 31, mãe de sete filhos, conta que a família estava dormindo quando o fogo teve início. Moravam no prédio havia um mês.

“Escutei gritos, achei que tinha gente brigando”, diz ela, que mora com cinco filhos, a mais nova de um ano. “Quando falaram que tinha fogo, acordei as crianças e saí correndo.”

“O prédio desceu, parecia um tsunami”, lembra a dona de casa Maria Aparecida de Souza, 58, que morava no quarto andar havia quatro anos. “Não deu para tirar nada.”

O aposentado Miguel Angelo se machucou na mão com estilhaços de vidro da janela. “Acordei e a energia tinha acabado. Foi uma gritaria, uma correria”, lembra.

Cerca de 80 pessoas viviam no lugar, segundo moradores. Cada família tinha um quarto e os banheiros ficavam no corredor.

As famílias pagariam uma taxa de R$ 160 por mês à coordenadora da ocupação para ter direito a um quarto no prédio, segundo uma moradora que não quis ser identificada.

O ferreiro Carlos Augusto Soares, 46, espera que a prefeitura ofereça abrigo para as famílias. Morador do lugar há quatro anos, conta que não conseguiu sequer salvar a sua gata de estimação durante a fuga.

Uma assistente social que atua na região e preferiu não ser identificada contou que ocorriam desentendimentos entre os moradores e os líderes da ocupação. ​

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