O total de vítimas fatais em acidentes de trânsito em Goiás no período de janeiro a abril deste ano foi de 303. O número é inferior ao registrado no mesmo período de 2017, que chegou a 335 e representou uma queda de 8,36% na taxa. No ano passado, os óbitos no trânsito totalizaram 1.076. Os índices fazem parte do painel de dados estatísticos da Secretaria da Segurança Pública do Estado de Goiás (SSPGO).

Conforme o painel da SSP, a maior parte dos casos aconteceu no período entre sexta-feira e domingo. No período relativo ao fim de semana, as mortes por acidente totalizaram 174. O número é maior que a quantidade de óbitos em todos os outros dias da semana somados.

Goiânia foi a cidade com a maior quantidade de mortes por acidentes de trânsito no período entre janeiro e abril de 2018. Os 63 óbitos registrados na capital representaram 16% do total no estado. Na lista de municípios com maiores números de acidentes fatais, a capital é seguida por Anápolis (15,6%) e Aparecida de Goiânia (14,3%).

Em Goiânia, 70% dos óbitos em acidentes de trânsito são de motociclistas. A titular da Delegacia Especializada em Investigação de Crimes de Trânsito em Goiânia (Dict), Nilda Andrade explica que na disputa pelo espaço que acontece no trânsito, os motociclistas se arriscam mais e acabam desrespeitando a sinalização, o que os torna mais vulneráveis.

A delegada aponta que, em Goiânia, a maior parte das mortes por acidentes de trânsito acontece com na faixa etária que vai de 18 a 35 anos. O motivo, conforme analisa Nilda, é a imprudência, comum entre os mais jovens.

Dados cedidos pela Dict mostram que , entre 2016 e 2017, o número de óbitos em acidentes de trânsito foi de 244 para 194 na capital. A redução, contudo, não indica uma direção mais segura. “O que ocorre é que as vítimas estão se recuperando mais. O sistema de saúde, de urgência e emergência está dando um melhor atendimento, e com isso a vítima tem um poder de recuperação maior, mas o número de acidentes em si aumentou”, explica a delegada.

Conscientização

Em uma análise a longo prazo, levando em conta o período entre 2015 e 2017, o número de acidentes de trânsito com vítimas fatais foi reduzido em 20%, conforme o Departamento de Trânsito de Goiás (Detran Go). Para o diretor técnico e de atendimento do órgão, Daniel Fernandes Leite, a redução é consequência de ações de conscientização.

Para intensificar o trabalho de prevenção e conscientização, o Detran lançou em todo o país a campanha Maio Amarelo, que visa propor reflexões sobre um trânsito mais seguro. Daniel explica que, em Goiás, a ação consiste em palestras em escolas, hospitais, postos de saúde e locais públicos em todo o Estado.

Uma novidade na campanha deste ano é a balada responsável educativa. Daniel conta que, o projeto é uma adaptação da já conhecida balada responsável, mas que reforça o caráter educativo. Nesta ação, os motoristas não vão passar pelo teste do bafômetro, como de costume, mas vão ser abordados por funcionários do Detran e receber material de educação para o trânsito.

Contudo, a balada responsável fiscalizatória não vai ficar de lado, sobretudo no período da Pecuária de Goiânia. “Após grandes eventos em que há ingestão de bebida alcoólica o número de acidentes de trânsito aumenta, por isso em todos os dias da Pecuária vai ter fiscalização e blitz. Além disso, vai contar com um stand dentro do evento para reforçar a ação educativa”, esclarece Daniel.

Lei mais rígida

Outro reforço que visa garantir a redução de mortes no trânsito é a lei federal 13.546/2017 que passou a valer no mês passado. O dispositivo legal determina que a pena para quem se envolver em homicídio no trânsito quando comprovado estado de embriaguez ou uso de substâncias psicoativas passa de cinco a oito anos.

Anteriormente, a pena para este tipo de crime variava de dois a quatro anos. A nova lei altera a de número 9.503, de setembro de 1997, do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), sobre crimes de trânsito. O redator dispositivo é o presidente da Comissão de Direito Viário da Ordem dos Advogados do Brasil sessão São Paulo, o advogado Maurício Januzzi, que informou em entrevista ao jornal O Globo, que a alteração é fruto de discussões entre juristas acerca da natureza deste tipo de crime: culposo (quando não há intenção de matar) ou doloso (quando há intenção).

Neste ano, o total de ocorrências de trânsito notificadas por condução sob influência de álcool ou substância psicoativa foi de 16. No mesmo período do ano passado, a SSP registrou 12 ocorrências do tipo. Neste caso, a capital não lidera os maiores números. Rio Verde sai na frente e registra a maior quantidade de motoristas flagrados dirigindo alcoolizados, e totaliza 25% de todos os casos do Estado.

O vice presidente da Comissão de Direito do Trânsito (CDT) da OAB Goiás, Robson Rios explica que a mudança da lei não altera a modalidade do crime, que continua sendo culposo. O que muda, segundo o advogado, é que a partir da análise de indicadores sociais do réu, o juiz pode determinar cumprimento inicial da pena no regime fechado ou semiaberto, o que não era possível com a lei anterior.

 

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